Amor eterno

amor-eterno

Era um belo dia para sair cedo do trabalho. John caminhou pela vizinhança como que em um sonho devagar, a sua face aquecida pelo toque dourado do sol. Ali perto uma multidão de crianças estava despedaçando um carteiro desesperado, mas John não se preocupou com eles. Eles não importavam.

Apenas Sara importava.

Lembranças dela passaram na mente dele. Com gritos estourando por todos os lados como projéteis de morteiros, John ouviu um piano – o piano dela, tocando apenas para ele. O passo dele começou a acelerar conforme se aproximava da casa. Ele passou por um quintal, mal notando o regador virado que derramava sangue na entrada do vizinho.

O atalho deixou os sapatos dele sujos de lama e o trouxe perto demais de uma mulher rasgando o estômago de um idoso, mas ele conseguiu passar, como havia conseguido tantas vezes antes naquele dia. Apenas para ela.

Apenas para Sara.

E enfim ele estava em casa, e ele estava na varanda da frente e através da porta de tela, e então a viu. Ainda lá, graças a Deus. Ele conseguira chegar a tempo. Ela estava perto do piano, o vestido leve radiante na luz do fim da tarde, e, como ele havia dito a ela todos os dias dos últimos vinte anos, ela estava tão adorável quanto no dia em que haviam se conhecido.

Ele a pegou em seus braços sem falar nada. Que o mundo se destruísse – John tinha Sara. Ele a segurou apertado, acariciando o cabelo, e, enquanto ela afundava os dentes em sua garganta, ele a beijou na bochecha. Ele não se importava, contanto que fosse ela. Apenas ela.

Apenas Sara.

Deixar uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *