Doces especiais

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Esperando do lado de fora da sala de aula, a cesta de Dia dos Namorados pesava em minha mão suada. Do outro lado do corredor, Lacie Travers estava perto do armário rindo com as suas amigas líderes de torcida. Ela enfim beijou o atleta e se virou para entrar na sala.

– Lacie, v-você q-quer s-ser a m-minha n-namorada?

Lacie deu um passo para trás, parando na porta. Crianças começaram a se aglomerar ao nosso redor enquanto ela fazia uma careta para a imagem do cupido na caixinha.

– Mesmo se eu não tivesse um namorado, eu nunca namoraria você. Ewww.

As crianças riram.

Lembrando-me de que eu gostava dela desde a primeira série, eu sussurrei:

– Abre, por favor. – E entreguei a caixinha para ela.

Lacie rompeu o lacre e tirou dois docinhos no formato de corações.

Seja Minha? Beije-me? Não estamos no primário, seu retardado.

As crianças riram de novo, e Lacie jogou os doces em sua boca, mastigando-os enquanto pegava outro.

Sinto sua falta?

Quando o sino tocou, ela mastigou aquele também.

– Sai daqui, aberração.

Segurando as lágrimas, eu me afastei. Lacie e o resto da sala entraram, gargalhando e me humilhando. Eu já esperava a zombaria – acontecia o tempo todo.

Quando todos estavam sentados, eu corri para a minha cadeira atrás de Lacie a vi pegando doce atrás de doce, comendo distraída, ignorando as pequenas mensagens. Docinhos de coração sempre me perturbaram. Eles são tão facilmente esmagados e engolidos… Que diferença de corações reais.

Corações reais são duros.

Antes da aula terminar, Lacie havia terminado, comido todo o meu amor. Ela não tinha notado os três docinhos especiais. Veneno de rato se disfarça facilmente.

Sorrindo, eu sussurrei a mensagem que ela merecia:

Morra.

Vadia.

Morra.

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