O Tempo

Eu caminho há muito por esse mundo. Visito todos os cantos mais distantes, e estou na multidão e no isolamento. Cada pessoa me tem, todos e ninguém me possuem, mas poucos conseguem ficar sem mim.

Às vezes, sou um senhor idoso, caminhando feliz por um parque; outras, sou apenas mais uma criança inocente, brincando na terra; ou até mesmo um adulto satisfeito. Sou branco, negro, asiático, homem, mulher, alto, baixo, gordo, magro… não tenho um traço permanente, sempre mudando. Mas o que mais se altera é o meu passo: rápido como um corredor, ou devagar como a tranquila tartaruga.

Xingam-me e me elogiam; me querem e me temem; me veem e me ignoram. Tenho contradições complexas que nem mesmo comigo seria possível desvendá-las. Mas, no final, sou apenas uma verdade máxima.

Sou diferente para cada um, mas igual para todos. Ora, Tempo é a certeza duvidosa, a constante instável, o acerto errado. Entretanto, mesmo que me abandonem, continuo a passar, mesmo que não deixe pegadas nas minhas próprias areias amareladas. Pois o tempo passa também para o Tempo, e nada dura para sempre. A ampulheta precisa virar, e o Tempo precisa continuar.

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