Predador Apex

Centenas de tubarões brancos surgindo nas praias do Atlântico, isso sem dúvidas foi o que causou mais medo.

Ninguém nunca vira algo parecido antes.

Histórias surgiram depressa, de pessoas que viram cardumes com duas ou três dúzias de tubarões brancos adultos, nadando juntos perto das praias, como robôs gigantes, de olhos negros e de couro, nadando em círculos.

Uma mentalidade de colmeia.

E isso era totalmente diferente de qualquer comportamento já testemunhado em um predador Apex. Nós rapidamente percebemos que não acontecia apenas no litoral leste.

Tubarões-tigre literalmente invadiam as águas costeiras do Golfo Pérsico. Orcas, em grupos de até trezentas, surgiam nas costas rochosas do Alasca e do Canadá. As praias de Madagascar se entupiram com arraias – uma imagem incrível no YouTube.

Em todo mundo, documentávamos casos dos maiores e mais fortes predadores do oceano, animais que viviam isolados, se reunindo em grupos.

Aglomerando-se onde havia pessoas.

Mas nenhum ataque foi registrado.

Os carnívoros marinhos não pareciam caçar! Não comiam peixes, plânctons, focas, nada.

Eles estavam focados em outra coisa.

Só semanas depois que biólogos marinhos notaram a água se agitando no meio do Pacífico. Água salgada fervendo de verdade.

Eu fui um dos especialistas selecionados para ir às Galápagos e tentar estudar esse novo fenômeno.

Enquanto estava lá, conversei com Bjorn Wagner, um zoólogo que fizera estudos no Congo antes dos estranhos eventos dos últimos três meses. Eu me lembro de estranhar que ele, um cientista que, semanas antes, estivera documentando gorilas e chimpanzés nas profundezas da África, fosse chamado para ajudar nessa missão aquática.

Em tons nervosos, ele me explicou que já tinha observado comportamentos similares aos dos predadores Apex marinhos.

Ele vira hienas vivendo temporariamente em grupos próximos aos rinocerontes; ele vira pítons angolanas se movendo em enxames e se entocarem dentro de território de ratéis.

E, enquanto compartilhavam espaço, essas espécies diferentes viviam em um período estranho de paz. Sem caçar, sem perturbar, sem se esconder. Mas, na verdade, se comunicando.

Usando alguma forma pré-histórica de comunicação animal, as criaturas de espécies e ordens totalmente diferentes estavam se alertando de uma ameaça comum.

– O inimigo do meu inimigo é meu amigo. Essa é a ideia. – disse Bjorn.

E assim, agora eu olho por cima do corrimão do nosso bote aparentemente pequeno e encarno o abismo azul chiante. A sombra escura de uma nuvem paira sobre as águas abaixo, enquanto eu me pergunto: o que na Terra poderia ser tão ameaçador para tubarões, orcas e humanos?


Extraído de Reddit

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